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Avatar de Fred Barros

Obrigado pela perspectiva, Ricardo. Gostaria de trazer algumas contribuições.

“140% CDI”. Essa não é uma taxa de emissão que representa a trajetória de captação de crédito do Master. Note: não estou defendendo o banco, mas é curioso como esse número ficou cristalizado. Invisto via mercado secundário desde 2020 e esses rendimentos esticados não eram ofertados no primário – logo, a taxa era fruto da remarcação aplicada pelo distribuidor. Não uma definição do emissor. O Master sempre ofertou um prêmio maior no primário, mas não nesse nível. Apenas quando a vaca já tinha ido pro brejo e a negociação com BRB veio à tona, após as 3 matérias da Piauí, é que, aí sim, no primário começaram a aparecer taxas muito esticadas. Mas objetivamente isso não deve ter representado um volume relevante na captação.

Vejo muita gente no mercado financeiro (não estou falando de você) que não sabe distinguir taxa primária de secundária e o papel da distribuidora no processo de remarcação. BRK e Portocred (2 últimas quebras antes do Master) tiveram um visível incremento de taxa no primário em seus meses finais (com balanços já escancarando problemas óbvios – Basileia e Imobilizado) – esse foi o momento, nesses seis anos, onde vi mais descolamento de spread no primário. No caso do Master, entre 2020-2025, era bem diferente: se no pós a captação estava taxada acima dos pares, o retorno era de 120% versus 117-116% de emissores de porte equivalente.

Sobre a não-vilanização das corretoras que você propõe, discordo. Tinham compreensão do quadro de risco de maneira muito mais ampla, aceitavam trabalhar com comissionamentos fora do padrão do mercado e tinham uma postura proativa para convencer clientes despreparados a investir em Master. Falar que "vendedor vai vender" independente do que se vende? Discordo substancialmente. Destaque para as falas do Maluhy na divulgação do T4 do Itaú. A XP, em específico, ainda teve a questão da troca (Will por CDBs).

No seu texto, não sei se intencionalmente por desconhecimento, você escolhe personagens da política de um mesmo lado (ou associados a um mesmo lado) – praticamente todos, com exceção dos bolsonaristas Rocha e Rueda. No campo da esquerda há também o laço expressivo com o governo baiano, mas, na vertical bolsonarista, as conexões são inúmeras: diversos governos municipais, alguns estaduais (com destaque para o RJ), igrejas evangélicas e por aí vai. Lembrando que o prejuízo daqueles que são beneficiários de fundos prev não tem garantia. A teia de relacionamentos é, portanto, supra-ideológica, não permitindo uma rotulação superficial a um lado ou outro do espectro político.

Avatar de Rodrigo Ventura Merg

A sem-vergonhice é fisiológica e apartidária, todos querem uma beirada.

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